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Energia

A produção e o consumo de energia são responsáveis, direta e indiretamente, por alguns dos principais impactes negativos da atividade humana sobre o ambiente, designadamente, os impactes associados às emissões para a atmosfera de gases com efeito de estufa (GEE), bem como de outros poluentes, como o dióxido de enxofre e os óxidos de azoto.

A produção de energia a partir de Fontes de Energias Renováveis (FER) reduz a dependência energética do exterior, potencia a diversificação de fontes de energia através da utilização sustentável de recursos endógenos, como a água, o vento, a biomassa, o Sol e o calor da Terra, e contribui para a redução das emissões nacionais de GEE em todos os setores de atividade.

A par com as políticas e medidas destinadas a incrementar a produção de energia a partir de fontes renováveis (reduzindo o recurso a energia de origem fóssil), medidas tendentes a garantir o mais elevado nível de eficiência energética possível devem estar presentes nas fases de produção, transformação, transporte, distribuição e utilização da energia, contribuindo para a desejada dissociação entre o crescimento económico e o consumo de energia.

Uma matriz energética limpa e diversificada é um dos principais desafios do século XXI. Além de investir em fontes renováveis, é fundamental promover a eficiência energética, ou seja, o uso racional da energia, evitando desperdícios em residências, indústrias e transportes.

 

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Produção e consumo de energia

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Intensidade energética da economia
  • Em 2023, Portugal apresentou uma intensidade energética da economia em energia primária de 76,5 tep/M€(preços correntes), acima da média da UE-27 que foi de 73.4 tep/M€(preços correntes).
  • No mesmo ano, Portugal apresentou um aumento de 0,4% no consumo interno bruto de energia, face ao ano anterior, enquanto na UE-27 se verificou uma diminuição de 1,0% face a 2022.

Descrição

A ficha temática “Intensidade energética da economia” analisa a evolução do consumo de energia face ao crescimento económico, em Portugal e na União Europeia (UE).

Historicamente, o crescimento económico implica um aumento do consumo de energia, elevando as pressões sobre o ambiente.

Este indicador permite reconhecer a desejada dissociação (decoupling) entre o consumo de energia e o crescimento económico. A dissociação relativa verifica-se quando o aumento do consumo de energia é mais lento do que o crescimento económico. Se o consumo de energia estabilizar ou diminuir, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) continua a crescer, temos a dissociação absoluta entre estas duas variáveis, associada à natural redução dos impactes negativos sobre o ambiente, e numa base de um uso mais eficiente deste recurso.

O PNEC 2030 atualizado prevê novas metas nacionais de inclusão de energia a partir de fontes renováveis e, ainda, novas ações, medidas e políticas a adotar para a sua execução. O mesmo se verifica no que se refere a metas associadas ao consumo de energia primária e de energia final, igualmente com a definição de novas ações, medidas e políticas.

 

Conceitos

«Intensidade energética de uma economia», consiste na razão entre o consumo de energia primária e o seu Produto Interno Bruto (PIB). [Fonte: DGEG]

 

Contribuição para os ODS


Objetivos

  • Em 2020, na sequência da apresentação da avaliação efetuada pela Comissão Europeia aos planos nacionais de energia e clima dos Estados-Membros (desenvolvidos em conformidade com o Regulamento (UE) 2018/1999), e da Comunicação da Comissão “Reforçar a ambição climática da Europa para 2030 – Investir num futuro climaticamente neutro para benefício das pessoas”, a meta para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa (GEE), em toda a economia, foi alterada para 55% até 2030, em comparação com os níveis de 1990.
  • Aprovado e publicado em julho de 2020, o Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030) é o principal instrumento de política energética e climática nacional com objetivos, metas e medidas para o horizonte 2030. Com a atualização do quadro estratégico e legislativo europeu, o PNEC 2030 foi atualizado e aprovado pela Resolução da Assembleia da República n.º 127/2025, alterando as metas nacionais para 2030, designadamente a da incorporação de renováveis no consumo final bruto de energia para 51%, o valor do consumo de energia final não superior a 14 371 ktep e o valor de consumo de energia primária não superior a 16 711 ktep em 2030.
  • Em julho de 2021, a Comissão Europeia apresentou um conjunto de propostas legislativas, o Pacote “Fit-for-55”, destinadas a rever e atualizar a legislação da União Europeia (UE) e a desenvolver ações para assegurar a harmonização das políticas da UE com os objetivos do Pacto Ecológico Europeu. Este Pacote levou também à revisão de um conjunto de compromissos, como sejam as metas de incorporação de energias renováveis e eficiência energética da União.
  • Em dezembro de 2021, a publicação da Lei n.º 98/2021, que define as bases da política nacional do clima, identifica para a transição energética nacional, entre outras medidas, o reforço significativo da eficiência energética em todos os setores da economia, apostando na incorporação de fontes de energia renováveis endógenas nos consumos finais de energia e na eletrificação do consumo de energia, eliminando até 2040 o papel do gás de origem fóssil do sistema energético nacional.
  • Em novembro de 2024, na 24.ª Conferência do Clima da ONU (COP29) foram renovados os objetivos de 1,5ºC do Acordo de Paris e da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações climáticas.

 

Principais instrumentos de política


Hiperligações

Direção-Geral de Energia e Geologia – Energia

Direção-Geral de Energia e Geologia – Indicadores Energéticos

Eurostat – Base de dados (Ambiente e Energia)


 

Energias renováveis
  • Em 2024, a produção de energia de origem renovável situou-se em 7 845 ktep*, dos quais 44,2% tiveram origem na energia elétrica (de origem hídrica, eólica, fotovoltaica e geotérmica), seguida da biomassa que representou 41,9%, de 9,1% na produção das bombas de calor e de 1,5% no solar térmico.
  • A produção de eletricidade a partir de Fontes de Energia Renovável (FER), em 2024, foi de 44 055 GWh (37 181 GWh em 2023), sendo o contributo das FER no consumo final bruto de energia de 36,3% e na produção de eletricidade de 65,8%.
  • Esta incorporação permitiu, pelo sexto ano consecutivo (desde 2019), que Portugal se mantivesse como o quarto Estado-Membro da UE com maior incorporação de FER na produção de eletricidade.
  • Esta produção teve origem na componente hídrica (42,2%), na eólica (32,7%), na fotovoltaica (16,1%), na biomassa (8,5%) e na geotérmica (0,5%).

* ktep – quilo toneladas equivalentes de petróleo.


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Descrição

A ficha temática “Energias renováveis” analisa os dados de produção de energia a partir de fontes de energia renovável (FER), a sua contribuição para o consumo de energia primária e para o consumo final bruto de energia, bem como o contributo de cada fonte renovável.

As FER são as fontes de energia provenientes de recursos naturais – como a água, o vento, a biomassa, o Sol e o calor da Terra – que se renovam de forma natural e regular, de um modo sustentável, mesmo após serem utilizadas para gerar energia (elétrica ou térmica).

Estes recursos naturais permitem produzir energia de origem hídrica, eólica, solar, oceânica, geotérmica, de biomassa e calor por bombas de calor.

A produção de energia a partir de FER reduz a dependência energética do exterior, potencia a diversificação de fontes de energia através da utilização sustentável de recursos endógenos e contribui para a redução das emissões nacionais de gases com efeito de estufa (GEE) em todos os setores de atividade.

 

Conceitos

«Energia de fontes renováveis» ou «energia renovável», a energia de fontes renováveis não fósseis, a saber, energia eólica, solar (térmica e fotovoltaica) e geotérmica, energia osmótica, energia ambiente, das marés, das ondas e outras formas de energia oceânica, hidráulica, de biomassa, de gases dos aterros, de gases das instalações de tratamento de águas residuais, e biogás.

[Fonte - Diretiva (UE) 2023/2413]

 

Principais instrumentos de política

 

Contribuição para os ODS

 


Objetivos

  • Aprovado e publicado em julho de 2020, o Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030)[1] é o principal instrumento de política energética e climática nacional e define objetivos, metas e medidas para o horizonte 2030. Com a atualização do quadro estratégico e legislativo europeu, a atualização do PNEC 2030 foi aprovada pela Resolução da Assembleia da República n.º 127/2025, alterando as metas nacionais para 2030, designadamente, a meta de redução de emissões de dióxido de carbono equivalente (CO2eq) nos setores não CELE[2] (sem LULUCF)[3] para menos 28,7%; a meta de redução de 55% nos setores não CELE; a incorporação de 51% de renováveis no consumo final bruto de energia; e a incorporação de energia renovável de 93%, 63% e 29% no consumo final dos setores da eletricidade, aquecimento/arrefecimento e transportes, respetivamente.
  • Aprovada através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 63/2020, de 14 de agosto, a Estratégia Nacional para o Hidrogénio (EN-H2) tem como principal objetivo a introdução gradual do hidrogénio verde (combustível de base renovável), como opção válida para o cumprimento dos objetivos nacionais de incorporação de fontes renováveis no consumo final de energia e para a descarbonização, nomeadamente na indústria e mobilidade. A Estratégia define metas entre 1% e 15% de inclusão de hidrogénio verde no consumo de energia dos setores da indústria, transporte rodoviário, transporte marítimo doméstico, consumo final de energia e redes de gás natural, até 2030.
  • O Decreto-Lei n.º 84/2022, de 9 de dezembro, estabelece metas relativas ao consumo de energia proveniente de fontes renováveis, transpondo parcialmente a Diretiva (UE) 2018/2001, relativa à promoção da utilização de energia de fontes renováveis que estabeleceu objetivos para a redução da dependência da UE das energias fósseis.
  • A Diretiva (UE) 2023/2413, que altera a Diretiva (UE) 2018/2001, relativa à promoção da utilização de energia de fontes renováveis, reforça o compromisso dos Estados‑Membros em aumentar a quota de consumo final bruto de energia proveniente de fontes renováveis, de 32% para 42,5% até 2030. Para alcançar esse objetivo, a referida diretiva incorpora novos desenvolvimentos nos setores das energias renováveis e dos combustíveis renováveis de origem não biológica, e determina que os Estados‑Membros fixem uma meta indicativa para tecnologias inovadoras de energias renováveis de, pelo menos, 5% da nova capacidade de energias renováveis instalada até 2030.
  • O Plano REPowerEU (Comunicação da Comissão de 18 de maio de 2022), prevê a necessidade de revisão do sistema energético europeu, nomeadamente a redução do consumo de combustíveis fósseis russos, poupando energia e investindo em energias renováveis. Assim, foi proposto aumentar para 45% a meta da UE das energias renováveis no cabaz energético, a meta de produção interna de hidrogénio renovável de 10 milhões de toneladas e a produção anual de 35 mil milhões de m3 de biometano sustentável, todas até 2030, para acelerar o ritmo de implantação das energias renováveis na União.
  • O Decreto-Lei n.º 85/2025, de 24 de junho, define metas de integração de energia proveniente de fontes renováveis na indústria e no consumo final de energia no setor dos transportes, designadamente através da utilização de hidrogénio de base renovável, sendo os definidos, respetivamente, no n.º 1 do artigo 22.º-A e nos n.os 1 e 2 do artigo 25.º da Diretiva (UE) 2018/2001, na redação que lhe foi dada pela Diretiva (UE) 2023/2413.


 


[1] Resolução do Conselho de Ministros n.º 53/2020, de 10 de julho, aprova o Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030).

[2] CELE - Comércio Europeu de Licenças de Emissão

[3] LULUCF - Land Use, Land-Use Change and Forestry

 


Hiperligações

Direção-Geral de Energia e Geologia – Energia

Direção-Geral de Energia e Geologia – Balanços Energéticos

Direção-Geral de Energia e Geologia – Estatísticas rápidas das renováveis

Direção-Geral de Energia e Geologia – Estratégias e Política Energética

Eurostat – Statistics | Eurostat

Parlamento Europeu – Como está a UE a impulsionar as energias renováveis?

 

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