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Breve introdução à proteção radiológica

Proteção radiológica

Breve introdução à proteção radiológica

 

Fontes naturais

Desde sempre o Homem tem estado exposto a radiação proveniente de fontes naturais (também designada de radiação de fundo) e, mais recentemente, de fontes artificiais.

Relativamente à radioatividade natural, existem pequenas quantidades de urânio, tório, rádio e outros elementos radioativos na crosta terrestre que contribuem para a exposição da totalidade da população. O grau de radioatividade depende fortemente do tipo de solo. Estes materiais, porque contém ínfimas quantidades de materiais radioativos, emitem baixos níveis de radiação ionizante.

Do processo de decaimento do rádio presente nos minerais da crosta terrestre resulta o gás radão, um gás radioativo que pode facilmente libertar-se do solo e penetrar nas habitações, podendo acumular-se em locais fechados e com fraca ventilação. Estima-se que a exposição ao gás radão possa ser uma das principais causas de cancro do pulmão.

Outra fonte de exposição natural são os raios cósmicos. A grande maioria destes são filtrados pela atmosfera, mas, em locais de grande altitude ou em voos comerciais, a exposição pode ser considerável, ao contrário do que sucede ao nível do mar. Os raios cósmicos podem também interagir com átomos na atmosfera terrestre criando isótopos radioativos como o Carbono-14.

A radiação ionizante, pela sua elevada energia, é capaz de penetrar na matéria, ionizar os átomos, romper ligações químicas e causar danos nos tecidos biológicos.

Os efeitos da radiação no corpo humano são complexos e dependem do tipo de radiação, da intensidade e da energia.

 

Fontes artificiais - aplicações

Diagnóstico em medicina

O uso de radiação ionizante tem inúmeras aplicações que apresentam largos benefícios para a sociedade e para os indivíduos. Um exemplo comum é a utilização de raios-X para diagnóstico em Medicina.

Tratamento em medicina

Em Medicina a radiação ionizante é também largamente utilizada para fins terapêuticos (radioterapia e medicina nuclear).

Contexto industrial

No contexto industrial, as aplicações são igualmente vastas, destacando-se a gamagrafia industrial em ensaios não-destrutivos, esterilização por irradiação e outros métodos de controlo de processo envolvendo os medidores nucleares de densidade, humidade, peso e nível de interface.

 

Princípios gerais da proteção radiológica

A exposição de indivíduos a radiação ionizante, quer seja enquanto paciente num ato médico ou como trabalhador responsável pela sua realização, rege-se, no âmbito de um quadro regulamentar internacional, por 3 princípios fundamentais:

  • Justificação - nenhuma prática que envolva a exposição a radiação ionizante deve ser adotada a não ser que o benefício resultante para os indivíduos expostos ou para a sociedade seja maior que o detrimento causado.
  • Otimização - cada prática deve garantir que a exposição dos indivíduos seja tão baixa quanto razoavelmente atingível, tendo em conta fatores económicos e sociais, - normalmente designado por princípio ALARA (ALow AReasonably Achievable).
  • Limitação das doses - a exposição dos indivíduos deve ser sempre mantida abaixo dos níveis estabelecidos.

Limites de dose

Em Portugal, os limites de dose encontram-se estabelecidos na legislação e compreendem:

 

  • Limites de dose para os trabalhadores expostos

O limite de dose efetiva para os trabalhadores expostos é fixado em 20 mSv por ano. Sem prejuízo, a autoridade competente pode autorizar uma dose efetiva que pode atingir 50 mSv num mesmo ano, desde que a dose média anual ao longo dos cinco anos consecutivos, incluindo os anos em que o limite foi excedido, não seja superior a 20 mSv.

Sem prejuízo deste limite, são ainda fixados os seguintes:

  • O limite de dose equivalente para o cristalino é de 20 mSv por ano ou de 100 mSv por um período de cinco anos consecutivos, desde que a dose máxima num ano não ultrapasse 50 mSv;
  • O limite de dose equivalente para a pele é fixado em 500 mSv por ano, aplicando -se este limite à dose média numa superfície de 1 cm2 de pele, independentemente da superfície exposta;
  • O limite de dose equivalente para as extremidades é fixado em 500 mSv por ano.

 

  • Limites de dose para membros do público

O limite de dose efetiva para membros do público é fixado em 1 mSv por ano.

Sem prejuízo do limite anterior, são fixados os seguintes limites:

  • O limite de dose equivalente para o cristalino é fixado em 15 mSv por ano;
  • O limite de dose equivalente para a pele é fixado em 50 mSv por ano, aplicando-se este limite à dose média numa superfície de 1 cm2 de pele, independentemente da superfície exposta.