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A seca é uma preocupação crescente na Europa, com particular relevância nas regiões desertificadas do interior sudeste de Portugal e Espanha, onde a sua duração, frequência e severidade são cada vez maiores e os seus efeitos se mantém muito para além do seu término. Um dos impactos mais gravosos das alterações climáticas é precisamente o que respeita ao aumento da frequência e severidade de períodos de seca e escassez de água. Aliás de acordo com Copernicus Climate Change Service o ano de 2019 na Europa foi o mais quente alguma vez registado, com uma anomalia de temperatura média do ar de 1.24 °C.

Por seca meteorológica entende-se a seca associada à diminuição significativa da precipitação, medida pelo desvio em relação ao valor normal. A definição de seca meteorológica deve ser considerada como dependente da região, uma vez que as condições atmosféricas que resultam em deficiências de precipitação podem ser muito diferentes.

Por seu lado, a seca hidrológica está associada ao estado de armazenamento das albufeiras, lagoas, aquíferos e das linhas de água em geral, e caracteriza-se pela redução dos níveis médios da água armazenada nos recursos hídricos superficiais e subterrâneos e com a depleção de água no solo. Este tipo de seca está normalmente desfasado da seca meteorológica, dado que é necessário um período maior para que as deficiências na precipitação se manifestem nos diversos componentes do sistema hidrológico.

A seca agrícola é a seca associada à falta de água motivada pelo desequilíbrio entre a água disponível no solo, a necessidade das culturas e a transpiração das plantas. Este tipo de seca está relacionado com as características das culturas, da vegetação natural, ou seja, dos sistemas agrícolas em geral. O conceito de seca agrometeorológica resulta da conjugação dos conceitos de seca meteorológica e de seca agrícola, dada a relação causa-efeito entre ambas. Deste modo, a falta de água decorrente do desequilíbrio entre a precipitação e a evaporação irá ter consequências diretas na disponibilidade de água no solo e consequentemente na necessidade das culturas.

Está-se perante uma seca económica quando a diminuição das disponibilidades de água é de tal ordem acentuada que tem consequências negativas ao nível das atividades económicas.

A frequência de situações de seca meteorológica que se tem verificado em Portugal Continental nas últimas décadas, com a possibilidade de poderem vir a ser agravadas com o efeito das alterações climáticas, implica um aumento do risco e da vulnerabilidade a este fenómeno, o que poderá provocar um incremento dos seus impactes, ao nível das disponibilidades hídricas e consequentemente ao nível dos ecossistemas e dos usos existentes, com particular incidência no sector agrícola e, consequentemente, ao nível económico e social.

Por escassez de água entende-se a carência de recursos hídricos disponíveis face ao que seriam os suficientes para atender às necessidades de uso da água numa determinada região. A escassez pode resultar de mecanismos físicos ou económicos. A escassez física é resultado da inexistência de recursos hídricos naturais suficientes para satisfazer a procura de uma região; por seu lado, a escassez económica radica numa ineficiente gestão dos recursos hídricos disponíveis (e.g., existência de elevados valores de perdas nas redes de distribuição, seja no regadio ou em abastecimento público para consumo humano). Neste último tipo de escassez está incluído o caso de países ou regiões onde existe naturalmente água suficiente para atender os diferentes usos, mas não existem os meios para fornecê-la de forma acessível.
A seca e a escassez de água tornam a eficiência hídrica uma necessidade incontornável em todo o mundo, que encontra hoje atenção crescente nas políticas mundiais. A tomada de consciência da escassez de água desperta-nos para a urgência de uma gestão que assegure o equilíbrio entre o volume de água utilizado e o volume de água disponível. 

A eficiência hídrica (ou eficiência de utilização da água) é a otimização do consumo de água (eficiência de utilização), assegurando que com o uso do volume mínimo possível (consumo útil) se consiga proceder eficazmente à função na qual é utilizada.
As perdas (por vezes designadas por desperdício) têm diversas origens, como sejam, as perdas por evaporação (canais e reservatórios), as perdas aparentes (usos não autorizados e as de medição) ou as perdas reais/física (drenagem ineficiente, roturas, fugas, repassos, em canais e reservatórios, descargas em canais e em reservatórios).
A melhoria da eficiência hídrica através da redução dos consumos hídricos permitirá aumentar a garantia para os diferentes setores económicos, no caso das disponibilidades hídricas se mantiverem ou aumentarem (melhoria da segurança hídrica). 
A estratégia para a gestão dos riscos de seca e de escassez em contexto dos efeitos das alterações climáticas tem como objetivo mitigar os efeitos ambientais, económicos e sociais de eventuais episódios de seca e de situações de escassez, através de medidas que permitam aumentar a resiliência face a situações de escassez.