Radão

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O radão é um gás radioativo de origem natural, não tem cor e não tem cheiro.

Na figura 1 pode-se ver o posicionamento do rádon na tabela periódica, sendo o radão um dos seus isótopos.

O radão é formado pelo decaimento radioativo do urânio presente nas rochas e nos solos.

O decaimento radioativo acontece quando elementos instáveis como o urânio se modificam formando novos elementos acompanhados pela libertação de energia.

Na figura 2 está representada a cadeia de decaimento do Urânio-238 de onde provém o radão (realçado a verde) e que termina com a formação de um elemento estável, o Chumbo-206. O radão é o único elemento gasoso desta cadeia de decaimento.

O radão está presente em todo lado, no exterior e no interior de edifícios.

O radão é a maior fonte natural de exposição das populações à radiação ionizante e contribui com mais de 40% (figura 3).

 

 

Figura 1 - Localização do radão na tabela periódica dos elementos.

Fonte: www.cienciaviva.pt

Figura 2 - Cadeia de decaimento do Urânio-238.

Fonte: IAEA - International Atomic Energy Agency.

 

Figura 3 - Percentagem da dose anual de radiação recebida pela população mundial.

Fonte: UNSCEAR, 2008 REPORT Vol.I Annex B.


 

Existe evidência comprovada por estudos científicos que a exposição prolongada ao radão no interior de edifícios pode provocar cancro do pulmão.

O radão produz partículas radioativas no ar que respiramos. Essas partículas ficam retidas nas nossas vias respiratórias e aí emitem radiação que provoca danos nos pulmões, figura 4. Este dano aumenta o risco de cancro do pulmão para exposições prolongadas no tempo. Os fumadores e ex-fumadores estão sujeitos a um risco maior pela ação combinada do tabaco e do radão.

Não existe evidência consistente da relação da exposição ao radão com outros tipos de cancro ou patologias.

Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, estima-se que a exposição ao radão cause entre 3 a 14% de todos os cancros do pulmão na população do país, dependendo dos valores médios de radão e da quantidade de fumadores.

Em toda a Europa, estima-se que 9% das mortes por cancro do pulmão se devam à exposição ao radão o que representa cerca de 2% de todas as mortes por cancro.

Na tabela 1 pode se comparar as diferentes doses recebidas por um indivíduo para os diferentes tipos de exposição.

 

Figura 4 - Esquema ilustrativo da inalação do radão.


Tabela 1 - Estimativa de dose recebida por um indivíduo para os diferentes tipos de exposição à radiação ionizante.

Fonte: adaptação Public Health England.

O radão está naturalmente presente no ar que respiramos.

No exterior dos edifícios, o radão dissipa-se e as suas concentrações são baixas.

Todos os edifícios contêm radão e na maioria as concentrações são baixas. No entanto, existem áreas em que estes níveis ultrapassam o nível de ação de 300 Bq/m3.

No diagrama da figura 5 podemos ver como o radão entra nos edifícios: vindo do solo através de fissuras/fendas no chão (1) e nas paredes (2), pelas juntas entre o chão e a parede (3) e pela canalização mal/não isolada (4).

As concentrações elevadas dependem primariamente do solo, do tipo de construção e dos hábitos de vida/uso do edifício. Pode haver também contribuição dos materiais de construção para os níveis elevados de radão.

As concentrações de radão no interior de edifícios apresentam variações diurnas, sazonais e também anuais (figura 6).

 

Figura 5 - Esquema das vias de entrada do radão para o interior de edifícios.

 

Figura 6 - Exemplo das variações sazonais das concentrações de radão (gráfico à esquerda) e das variações diurnas (gráfico à direita).

 

 

Fazer um teste ao radão é simples.

Consiste na colocação de 1 ou mais detetores (figura 7) nas divisões do edifício onde se permanece mais tempo. Numa habitação será, por exemplo, o quarto ou a sala. Estes detetores não necessitam de energia para funcionar, são de pequenas dimensões e têm de permanecer no mesmo local durante 3 meses. Depois da análise em laboratório do(s) detetor(es), é emitido um relatório com o resultado.

As concentrações de radão no interior dos edifícios variam diariamente, sazonalmente e até anualmente por isso recomenda-se testar por um período não inferior a 3 meses para reduzir a incerteza dos resultados, ver figura 8.

Figura 7 - Exemplos de detetores de radão.

Fonte: imagens APA.

 

 

 

 

 

Para concentrações acima do nível de ação - 300 Bq/m3, recomenda-se que se atue de modo a baixar os valores.

Existem vários métodos de remediação dos edifícios, distinguem-se em ativos porque utilizam uma ventoinha para funcionar e passivos que não utilizam ventoinha. Os métodos ativos são os mais eficazes para elevadas concentrações e compreendem os sistemas de despressurização (figura 8) e a ventilação por pressão positiva de toda a habitação ou da caixa-de-ar (figuras 9 e 10). Os métodos passivos consistem no aumento da ventilação de forma natural e permanente como aumentando a ventilação das caixas-de-ar ou caixilhos das janelas com grelhas de ventilação (figura 11) ou ainda impedir o ingresso de radão no edifício tapando fissuras no chão, as juntas entre o chão e a parede (figura 12) e o isolamento de canalizações.

Depois de instalado o sistema de remediação deverá ser feita uma segunda medição para confirmar a redução das concentrações.

Figura 8 - Exemplo de um sistema de despressurização do solo.

Fonte: BRE - Building Research Establishment.

Figura 9 - Exemplo de um sistema de ventilação positiva.

Fonte: BRE - Building Research Establishment.

Figura 10 - Exemplo de um sistema de ventilação da caixa-de-ar.

Fonte: BRE - Building Research Establishment.

Figura 11 - Grelha de ventilação.

 

Figura 12 - Reparar fissuras e fendas nas paredes e no chão.

 

 

Os sistemas de redução dos níveis de radão no interior dos edifícios devem ser mantidos para serem eficazes.

Têm de funcionar 24h por dia, têm de ser periodicamente inspecionados e preservados.

Recomenda-se fazer novo teste a cada 5 anos ou mais cedo se houver mudanças estruturais no edifício (ex: mudança nas paredes, janelas, chão) ou na ventilação.

 

Links:

https://www.iaea.org/topics/radiation-protection/radon

https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/radon-and-health

https://www.who.int/ionizing_radiation/env/radon/en/

https://www.bre.co.uk/radon

Videos:

https://www.youtube.com/watch?time_continue=81&v=FsKBVUPYfog