Fases de uma Emergência

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Os efeitos de um acidente só podem abranger uma vasta área quando há libertação de grandes quantidades de substâncias gasosas e de partículas radioativas para o ambiente.

Estas poderão ser transportadas como uma nuvem e podem depositar-se no solo ao longo da trajetória da nuvem. A quantidade de radioatividade vai-se reduzindo com a distância, à medida que a nuvem se expande, e também com o tempo, devido ao declínio dos produtos radioativos, sendo muito significativa a redução da concentração no primeiro ano.

As condições meteorológicas são o grande determinante de onde e quando são necessárias medidas de proteção.

A velocidade do vento determina a velocidade de deslocação da nuvem. Por exemplo: se a velocidade do vento é de 9 metros por segundo, a nuvem levará 3 horas a percorrer 100 quilómetros – esta a distância à fronteira portuguesa da central nuclear de Almaraz, a mais próxima do território nacional.

É também o vento, pela sua direção, que determina qual a área que será contaminada.

A chuva é também um fator determinante de maior ou menor contaminação, pois ela provoca a “lavagem” da nuvem e consequente maior e mais rápida deposição das substâncias radioativas presentes na nuvem.

Durante a passagem da nuvem na zona em que se encontram, as pessoas devem permanecer em casa; evitarão assim a inalação de substâncias radioativas e a exposição direta às radiações.

Depois da passagem da nuvem, já não há substâncias radioativas no ar; pelo contrário, haverá deposição no terreno, edifícios, culturas, etc. A quantidade depositada pode ter variações muito significativas de local para local, mesmo que sejam próximos, sendo a chuva o fator determinante.

No caso de deposição em áreas urbanas pode ser necessário descontaminar edifícios, telhados, etc. O mais provável é que seja necessário um longo período até ao desaparecimento dessas substâncias radioativas no ambiente.

No local de um acidente, um indivíduo pode receber uma dose tão elevada num curto período que sofra danos graves e imediatos na saúde: uma dose elevada destrói inúmeras células, pode causar vómitos e até a morte.

No caso de uma bomba nuclear, um indivíduo não protegido pode ser gravemente atingido num raio de algumas centenas de quilómetros. No caso de um acidente grave numa instalação nuclear, poderão ocorrer os mesmos sintomas mas nunca a mais de 20 quilómetros.

Vários anos após um acidente grave, pode verificar-se um aumento do número de casos de cancro e de distúrbios hereditários. Mas mesmo no caso do acidente mais grave, efeitos prejudiciais na saúde podem ser evitados se, atempadamente, forem tomadas as medidas de proteção adequadas.