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Esclarecimento APA - albufeira de Santa Águeda / Marateca

A APA está a acompanhar no terreno a ocorrência da morte de peixe na albufeira de Santa Águeda / Marateca, quer através de ações de fiscalização, quer através do reforço da monitorização da qualidade da água da albufeira.

As ações de fiscalização têm sido realizadas em estreita articulação com o SEPNA - Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR não tendo, até à data, sido detetada a ocorrência de descargas indevidas quer na albufeira, quer a montante, nas linhas de água afluentes à albufeira.

Os exemplares de peixe morto são, maioritariamente, da mesma espécie, pimpão, adultos, tendo também sido encontradas algumas carpas, igualmente adultos.
 
A albufeira de Santa Águeda / Marateca é monitorizada mensalmente quer pela APA quer pela Águas de Vale do Tejo (AdVT), tendo o atual reforço da monitorização sido definido de forma conjunta pelas duas entidades.

A APA fez colheitas de água na albufeira nos dias 16 e 27 de abril, e a AdVT nos dias 19 e 26 de abril e 2 de maio, procedendo-se à análise dos parâmetros físico-químico gerais, microbiologia, fitoplâncton, microcistinas, substâncias ativas de fitofármacos e metais. Presentemente apenas se dispõem dos resultados analíticos para as amostras recolhidas a 16, 19 e 27 de abril, aguardando-se os restantes resultados.

Foi, ainda, analisada a Clorofila a, a presença de microcistinas e a microbiologia.

A generalidade dos parâmetros físico-químicos analisados nas amostras recolhidas pela APA e pela AdVT, a 16, 19 e 27 de abril, cumprem os valores limite para o "bom estado" ou estão abaixo do limite de deteção, verificando-se apenas incumprimentos pontuais dos valores limite para o Fósforo Total, Azoto Total e Nitrato, sendo que, no caso do Fósforo Total, são da mesma ordem de grandeza dos valores que são normalmente obtidos nesta albufeira.

Os valores de oxigénio dissolvido registados em campo, quer em termos de % de saturação, quer em termos de concentração, apresentaram valores ligeiramente inferiores aos valores limite para o "bom estado". No entanto, de acordo com o especialista consultado pela APA, da Faculdade de Ciências de Lisboa, não terão provocado a morte do peixe.

A Clorofila a apresentou uma concentração acima do valor limite para o "bom estado" no dia 19 dde abril, mas da mesma ordem de grandeza dos valores que são normalmente obtidos nesta albufeira.

Os metais apresentam concentrações abaixo do limite de quantificação ou abaixo da norma de qualidade para o "bom estado", ou na sua ausência as definidas no decreto-lei n.º 236/98, de 1 de agosto.

Relativamente aos fitofármacos analisados, num total de 60, todos apresentaram concentrações abaixo do limite de quantificação.

No que se refere à microbiologia, os valores obtidos para a Escherichia coli e Coliformes totais não denotam contaminação bacteriológica da água.

Foram recolhidos peixes mortos no dia 19 de abril, entregues no Instituto Português do Mar e da Atmosfera para a realização de uma análise anátomo-patológica e, no dia 27 de abril, entregues no Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária para a realização das seguintes análises:

  • vírus herpes da carpa Koi (KHV) 
  • pesquisa de bactérias aeróbias 
  • pesquisa de bactérias anaeróbias 
  • identificação de cada bactéria isolada
  • pesquisa de bactérias aeróbias
  • exame histopatológico
  • PE-021-PSA/VIR Pesquisa do virus da Septicémia Hemorrágica Viral (VHSV), por RT-PCR em tempo real
  • PE-039-TSA/RT Pesquisa de Resíduos de Carbamatos

 
Aguarda-se pelo envio dos resultados destas análises, sabendo-se já o vírus herpes da carpa Koi (KHV) resultou negativo.

Por último, importa esclarecer que a qualidade da água para abastecimento público, estabelecida no decreto-lei n.º 306/2007, de 27 de agosto, alterado pelo decreto-lei n.º 92/2010, de 26 de julho, tem sido sempre garantida pela AdVT, tal como comprovam os resultados da monitorização realizada por esta entidade, de acordo com a legislação em vigor.

Nota:

Os parâmetros físico-químicos gerais analisados foram: Alcalinidade, Azoto amoniacal, Azoto total, Carbono orgânico dissolvido, Carbono orgânico total, Cloretos, Condutividade, Dureza total, Fosfatos, Fósforo total, Nitratos, Nitritos, Oxidabilidade, pH, Sílica, Sulfatos, Turvação, Oxigénio dissolvido.
Os metais analisados foram os seguintes: Alumínio, Antimónio, Arsénio, Bário, Berílio, Cádmio, Cálcio, Chumbo, Cobalto, Cobre, Crómio, Estanho, Ferro, Lítio, Magnésio, Manganês, Mercúrio, Molibdénio, Níquel, Prata, Selénio, Tálio, Urânio, Vanádio.

Os fitofármacos analisados foram: 2,4-D, 2,4,5-T (Ácido (2,4,5-triclorofenoxi)acético), Alacloro, Atrazina, Azoxistrobina, Bentazona, Bifenilo, Carbendazima, Carbofurão, Clorfenvinfos, Clorpirifos (ou Clorpirifos-etilo), Clorpirifos-metilo, Clortolurão, Desetilatrazina, Desetilsimazina, Desetilterbutilazina, Dialdrina, Diazinão, Dicloroprope, Diclorvos, Dimetenamida-P, Dimetoato, Dimoxistrobin, Diurão, Endossulfão alfa, Endossulfão beta, Etoprofos,Heptacloro, Heptacloro epóxido, Imidaclopride, Ipconazole, Isoproturão, Lindano, Linurão, Malatião, MCPA, MCPP (Mecoprope), Metalaxil-M, Metconazole, Metidatião, Metiocarbe, Metomil, Molinato, Ometoato, Oxadiazão, Oxamil, Penconazole, Pendimetalina, Pirimetanil, Procloraz, Propanil, Simazina, S-Metolacloro, Tebuconazole, Terbutilazina, Terbutrina, Tetraconazole, Triclopir, Trifluralina, Ditiocarbamatos total.