Tipos de Emergências Radiológicas

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Perante uma situação de emergência radiológica, exige-se uma resposta rápida, bem coordenada a nível nacional, para diminuição das consequências.

A tipologia das várias situações possíveis é muito variada, mas no sentido de preparar a resposta mais adequada, elas podem ser agrupadas em cinco categorias tipo, conforme o que é adotado pela própria Agência Internacional de Energia Atómica:

  • emergências exclusivamente relacionadas com instalações nucleares;
  • queda de satélite ou outro objeto espacial com uma fonte propulsora nuclear ou fontes radioativas perigosas;
  • desaparecimento de uma "fonte radioativa perigosa";
  • deteção de elevados níveis de radioatividade de origem desconhecida;
  • outras emergências radiológicas ou ameaças, tais como acidente no transporte de substâncias radioativas, descoberta de uma "fonte radioativa perigosa", sobre-exposição séria de pacientes, e até atos de terrorismo de ataque a instalações nucleares ou ataque terrorista com bombas sujas.

No caso nacional, e no que se refere a emergências especificamente decorrentes de acidentes em instalações nucleares nacionais, apenas há a considerar o Reator Português de Investigação (RPI). Mas é necessário ter em conta o risco de acidentes em centrais nucleares e instalações de reprocessamento de combustível estrangeiras, e ainda unidades navais estrangeiras com propulsão nuclear em território nacional.

O desaparecimento ou furto de fontes radioativas é motivo para preocupação pois a sua utilização em condições não controladas pode causar sérios problemas, inclusive para além das fronteiras do País de que são originárias.

É exemplo disso, o acidente ocorrido no Brasil em 1987, conhecido como Acidente de Goiânia, um dos que mais graves consequências teve em toda a história da utilização pacífica do nuclear: causou a morte quase imediata de 4 pessoas; cerca de 280 pessoas receberam doses de radiação muito elevadas; 14 áreas em redor da cidade de Goiânia, capital do Estado de Goiás, foram contaminadas, embora na sua maior parte com níveis baixos de radiação, uma zona com cerca de 2.000 m2 na cidade, na qual ficavam 25 casas e 2 depósitos de sucata, teve que ser evacuada e demolida; os resíduos contaminados atingiram um volume de 3.000 m3 e o custo da sua remoção ultrapassou 2 milhões de dólares.

Este acidente foi provocado pela utilização indevida e totalmente desconhecedora dos perigos, de uma fonte de Césio-137 que fora utilizada em radioterapia para tratamento de cancro, e que ficou “esquecida” numa clínica entretanto abandonada. A extensão dos efeitos deveu-se certamente ao facto de que a fonte radioativa, de cloreto de césio, ser uma sal que brilha no escuro com uma forte coloração azulada, que foi considerada “ideal” para efeitos de ornamentação, pelo que foi distribuída a amigos e parentes, alguns fora da cidade, chegando a ser utilizado diretamente sobre o corpo para produzir efeitos brilhantes! Tudo num total desconhecimento do que se estava a manusear.

Se está interessado em saber um pouco mais sobre este acidente, existem vários documentos disponíveis sobre o assunto, ver links.

Um outro exemplo que, embora sem qualquer impacto significativo na saúde, provocou sérios prejuízos económicos devido à necessidade de descontaminação de vastas áreas, foi o incidente ocorrido em Espanha em 1998, provocado pela queima inadvertida de uma fonte radioativa numa fundição em Algeciras.