Adaptação às Alterações Climáticas

Políticas > Alterações Climáticas > Adaptação > Adaptação às Alterações Climáticas

Adaptação às Alterações Climáticas

 

 

A resposta a um acumular de evidências 

Um pouco por todo o Mundo - e também em Portugal - as pessoas, organizações e empresas foram-se adaptando ao clima do local onde estão inseridos, organizando as suas actividades diárias, os locais onde vivem e tantos outros aspectos das suas vidas, por forma a tirar partido dos aspectos positivos desse clima e a protegerem-se de eventuais problemas e limitações que esse mesmo clima lhes coloca.

Mas o clima do planeta está a mudar e a bacia do Mediterrâneo está entre as regiões onde essa mudança está a ser mais rápida. Essas alterações irão afectar, por exemplo, os valores médios de temperatura e de precipitação e - tão ou mais importante do que isso - a frequência e intensidade de eventos meteorológicos extremos. 

Essas alterações constituem um desafio que é necessário enfrentar de forma estruturada, se quisermos prevenir os seus efeitos, capitalizar os seus benefícios e reduzir riscos e perdas.

 

Desvio da temperatura máxima do ar em relação à média 1971-2000 em Julho de 2010
Fonte: Instituto Meteorologia

 

O que é Adaptação? - Alguns conceitos úteis para a discussão

O IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas) define adaptação como um ajustamento nos sistemas naturais ou humanos como resposta a estímulos climáticos verificados ou esperados, que moderam danos ou exploram oportunidades benéficas.

O IPCC distingue ainda vários tipos de adaptação:

Adaptação Antecipatória. Medidas tomadas antes dos impactes das alterações climáticas serem observados.
Também referida como adaptação proactiva.Adaptação Autonóma. Medidas tomadas, não como resposta consciente a estímulos climáticos, mas que são desencadeadas por alterações ecológicas em sistemas naturais e por alterações de mercado e de bem-estar em sistemas humanos.

Também referida como Adaptação Espontânea

Adaptação Planeada. Medidas que resultam de decisão política deliberada, baseadas na consciência de que as condições se alteraram ou estarão prestes a alterar-se, e que são necessárias para regressar a, ou manter, um estado desejado

 

Instalações do Porto de Leixões objecto do respectivo Plano de Protecção, recentemente certificado pelo IPTM. No futuro, este tipo de planos deverá considerar explicitamente os riscos associados às alterações climáticas. Fonte: Porto de Leixões

Porquê Adaptar? - Começar já a pensar em Adaptação às ACs

Existem várias razões para começar imediatamente o processo de adaptação às alterações climáticas:

  • No curto prazo as alterações climáticas não podem ser evitadas. Algum aquecimento global é inevitável devido aos gases de efeito de estufa já presentes na atmosfera. Os efeitos desse aquecimento já se fazem sentir e este é um processo que irá continuar nos próximos anos.

  • Tomar decisões com base no clima histórico já não é apropriado. Muitos dos critérios utilizados nos processos de decisão foram desenvolvidos com base na nossa experiência com o clima actual e passado. Estes critérios influenciam decisões desde o dimensionamento de estruturas de protecção costeira ou contra cheias até à selecção de culturas agrícolas adequadas a cada região. Um clima diferente do actual pode tornar muitos desses critérios desadequados.

  • A adaptação planeada é mais eficaz do que a tomada de medidas reactivas em situação de emergência. Muitos dos impactes previsíveis de um clima alterado resultarão de uma provável maior frequência e intensidade de eventos meteorológicos extremos, como ondas de calor, incêndios descontrolados, seca extrema, e cheias. Estes eventos são, pela sua natureza, difíceis de prever. Não estar preparado - reduzindo exposição a riscos ou aumentando a capacidade de resposta durante os eventos - poderá resultar em graves perdas de bens materiais e naturais, em descontinuação temporária de serviços públicos essenciais (água e electricidade), ou até em perda de vidas.

  • De forma crescente Governos, Seguradoras e Investidores vão exigir que os riscos climáticos sejam considerados nos processos de decisão. Mesmo que hoje se considere que a exposição de um determinado sector ou empresa a riscos climáticos não é significativa, poderá vir a ser necessário responder de forma estruturada a questões de entidades públicas ou financeiras. Em muitos sectores já é prática corrente implementar programas de minimização de todos os riscos previsíveis. As alterações climáticas são hoje um risco que deve ser incorporado nesses processos.

  • A adaptação pode proporcionar benefícios locais imediatos. Estes benefícios decorrem da implementação de medidas de adaptação que nos tornem mais aptos a viver e trabalhar com a variabilidade climática e eventos extremos. Em sentido contrário, não adaptar pode resultar em perda de oportunidades e receitas que surjam através de mudanças de preferências dos consumidores e de mudanças nos mercados.

 

Barreiras à Adaptação - Porque é que resistimos a adaptar?

A adopção de medidas de adaptação pode ser dificultada por um conjunto de limitações e barreiras, umas reais outras de percepção, e que podem incluir:

  • Conhecimento limitado da natureza e magnitude dos riscos e vulnerabilidades climáticas - actuais e/ou futuros;

  • Ausência de políticas, regulamentos, normativos ou orientações que encorajam a perpetuação do status quo;

  • Existência de restrições legais ou regulatórias que representam impedimentos reais à adopção de medidas;

  • Inexistência ou acesso restrito a tecnologias apropriadas;

  • Custos proibitivos das medidas de adaptação identificadas face aos orçamentos disponíveis;

  • Falta de capacidade e competências humanas dentro da organização;

  • Rigidez e conflitos sociais, culturais ou finaceiros e aversão à mudança (existentes ou percepcionados como tal);

  • Tomada de decisões e processos de planeamento com enfoque no curto-prazo;

  • Falta de capacidade para lidar com incerteza;

  • Falta ou reduzida consciencialização da necessidade de adaptar por parte dos decisores;

  • Acreditar que existe muito tempo para começar a decidir sobre adaptação;

  • Falta de conhecimento e de precedentes na implementação de medidas de adaptação;

A eliminação destas barreiras é facilitada por análises sistemáticas às barreiras para implementar medidas de adaptação e pela consciencialização progressiva acerca dos riscos e consequências das alterações climáticas nas suas esferas de decisão.

Adaptação: Gestão de Risco